Publicado originalmente no Piracema 19.
Para as populações de Biquinhas e de Morada Nova de Minas, um delicioso banho de cachoeira pode significar mais do que renovação física e energética. O aproveitamento turístico das belezas naturais pode trazer também renovação socioeconômica para a população da cidade, que foi afetada pelo desastre-crime da Vale em 2019.
Cleber Alcino da Silva conta que ele conhece aproximadamente dez cachoeiras em Biquinhas, todas acessíveis por trilhas. Em duas delas, dá para chegar de carro e tomar banho em seus poços. No entanto, ele considera que não existe, hoje, aproveitamento turístico desses recursos.
Para que isso aconteça, é preciso que sejam elaborados projetos para investir na infraestrutura da cidade e na divulgação, como com a criação de um portal regional com informações sobre passeios. “A cidade não está preparada para receber turismo, porque não tem acomodações, pousadas. Acredito que faltam projetos de incentivo, até mesmo infraestrutura mínima, por exemplo, placa de sinalização indicando os locais”, Cleber afirma.
Para José Maria de Souza, que é de Morada Novas de Minas, a questão da sinalização é o primeiro ponto que precisa ser resolvido, pois as pessoas ficam sem referência para chegarem às cachoeiras ou até mesmo se perdem na região. Antes de um trabalho de divulgação, que ele considera importante, seria necessário planejar uma rota de turismo, inserir placas indicando os locais e as distâncias e produzir materiais como grandes mapas e panfletos.
Cleber destaca que o desenvolvimento de um turismo sustentável pode trazer um retorno financeiro para a população, seja para os proprietários das áreas onde estão localizadas cachoeiras, seja para pessoas no ramo da hospedagem, do turismo gastronômico, etc. “O turista deixa um dinheiro limpo com uma pegada ecológica bem reduzida, se bem estruturada”, ele explica.
José Maria também menciona como o aumento de movimento pode trazer retorno financeiro para pequenos produtores da região: “tem gente que vende queijo, outros vendem ovos, galinhas. Aqui a gente tem vontade de vender, por exemplo, frutas, mudas de plantas…”, conta.
Uma das formas de conseguir iniciar esse caminho de aproveitamento do potencial turístico das cachoeiras é por meio do Anexo 1.1 do Acordo de Reparação. Segundo José Maria, isso já tem sido discutido em sua comunidade. Resta, portanto, que a população possa transformar o desejo de renovação em projetos concretos, permitindo que a riqueza natural das águas de Biquinhas e Morada Nova de Minas tragam a esperada recuperação socioeconômica para a região.
Imagem: Laryssa Nascimento/Guaicuy.
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