Instituto Guaicuy

IJs defendem compartilhamento de dados de estudo de risco

11 de setembro, 2025, por Natália Ferraz

As Instituições de Justiça (IJs), compostas pelo Ministério Público de Minas Gerais, a Defensoria Pública Estadual e o Ministério Público Federal, e o Estado de Minas Gerais, apresentaram uma manifestação no processo judicial que trata do compartilhamento de dados do Estudo de Risco à Saúde Humana e Risco Ecológico (ERSHRE) pelo Grupo EPA.

O documento traz contra-argumentos em relação ao recurso submetido pela empresa, que alega que há riscos jurídicos no envio das informações para a ERM, nova empresa contratada para dar continuidade aos estudos, relacionados ao rompimento da barragem da Vale em 2019.

O envio dos dados foi determinado pelo juiz Murilo Silvio de Abreu em 24 de agosto. Cabe lembrar que a troca de empresa responsável pela pesquisa foi anunciada em maio de 2024 e motivada principalmente pelos atrasos consideráveis do Grupo EPA nas entregas que estavam previstas em cronograma.

Pontos defendidos pelas IJs

Na manifestação, as Instituições de Justiça defendem que existe sim base legal para o compartilhamento dos dados, pois o Grupo EPA não detém a propriedade dessas informações, tendo atuado apenas como um operador delas. Além disso, a finalidade do uso dos dados se mantém a mesma, a reparação dos danos relacionados ao rompimento. A falta do compartilhamento traria consequências negativas no andamento do trabalho pela nova empresa contratada.

“Os documentos solicitados não se tratam de dados meramente acessórios, mas sim de insumos indispensáveis para a auditoria socioambiental e para a os estudos de avaliação dos riscos à saúde humana e ao meio ambiente, sendo obrigação do Grupo EPA disponibilizá-los integralmente e nos formatos requeridos, até para possibilitar o trabalho da nova contratada, que assumirá o lugar do Grupo EPA”, indica a manifestação das IJs.

Nesse contexto, as IJs pedem que a decisão de compartilhamento seja mantida, reiterando também o envio de dados dos Povos e Comunidades Tradicionais, que o recurso do Grupo EPA seja rejeitado, que os dados sejam disponibilizados de forma integral e em formato aberto e editável, e que o descumprimento da determinação implique multa para a empresa. O documento foi enviado para apreciação do juiz para que ele decida sobre o recurso do Grupo EPA.

Calendário de julgamentos (atualizado em 10/9)

11 de setembro, às 13h30: Continuidade do julgamento dos recursos da Vale sobre a suspensão das ações individuais | Presencial/híbrida

Leia mais sobre a sessão que ocorreu em 28 de agosto

18 de setembro, às 13h30: Continuidade do ⁠julgamento do recurso da Vale contra a decisão de homologação dos Planos de Trabalho do Processo Judicial |Videoconferência

O julgamento estava previsto para 4 de setembro, mas o Desembargador Marcus Vinícius Mendes do Valle pediu vista após o relator não admitir parte do recurso e negar a parte que foi admitida. Assim, a discussão foi adiada.

Imagem destacada: Gia Dias/Guaicuy

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