A nota a seguir foi elaborada pelo Projeto Manuelzão e assinada pelo Instituto Guaicuy, que tem um compromisso histórico com a preservação e a revitalização do Rio das Velhas.
O Projeto Manuelzão, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), vem a público manifestar sua mais veemente indignação e repúdio à decisão do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) durante Reunião Plenária Extraordinária realizada no dia 28 de maio, que aprovou o pedido de outorga nº 7544/2025. O referido processo autoriza a atividade de dragagem destinada à extração de ouro aluvionar no leito do Rio das Velhas, em Santana de Pirapama, na Unidade Territorial Estratégica (UTE) Peixe Bravo.
A medida contraria completa e deliberadamente a perspectiva de preservação do nosso rio, que sempre norteou este Comitê e está materializada na Meta 2034. Essa decisão ignora anos de luta pela revitalização da bacia e abre um precedente extremamente perigoso para os nossos mananciais, além de colocar em risco a integridade de um dos principais cursos d’água da região.
Segundo o professor Marcus Vinícius Polignano, coordenador do Manuelzão, a aprovação dessa outorga tem o potencial de desencadear uma “corrida do ouro” na bacia do Velhas. “Essa autorização vai abrir um precedente sem tamanho para uma escalada da atividade de mineração na bacia do Rio das Velhas, o que é totalmente descabido e desmedido”, defende o professor.
A Meta 2034 concentra esforços na recuperação do trecho metropolitano do Velhas, entre Itabirito e Santa Luzia, o epicentro da degradação, para garantir a volta abundante do peixe em toda a extensão do Rio das Velhas. Isso exige despoluição, tratamento terciário de esgotos e preservação do leito e das nascentes. Dragagem para mineração é exatamente o oposto.
É inaceitável que, após tantos avanços e de um trabalho coletivo em defesa da recuperação ambiental, o colegiado aprove uma intervenção tão impactante. O empreendimento prevê dragagem por sucção hidráulica em um trecho de aproximadamente 3,32 quilômetros do rio, com largura variando entre 30 e 100 metros e profundidade entre 2 e 5 metros, utilizando duas dragas flutuantes. Os impactos à biota aquática, à estabilidade do leito e às comunidades de entorno são imensuráveis e, acreditamos, irreversíveis, independentemente das condicionantes de monitoramento impostas.
Diante desse retrocesso, o Projeto Manuelzão anuncia que tomará todas as medidas cabíveis junto aos órgãos competentes e à sociedade civil para revisão dessa medida e do processo de licenciamento dessa atividade no Velhas. Não podemos e não vamos tolerar esse tratamento com o Rio das Velhas e todas as vidas que dele dependem. A vida, a água e os ecossistemas estão em primeiro lugar.
Belo Horizonte, 12 de junho de 2026
Projeto Manuelzão UFMG
Assinam:
Assine também a nota de protesto acima enviando a adesão de entidades, ONGs e movimentos sociais, autorizando a publicação pelo e-mail do Projeto Manuelzão: manuelzao@manuelzao.ufmg.br.
Imagem destacada: Milena do Carmo/TantoExpresso/CBH Rio das Velhas
Isto é um absurdo!
até quando nossas autoridades vão priorizar o lucro das empresas mineradoras em detrimento da saúde do nosso povo e dos nossos peixes?
já não basta a copasa que continua poluindo nossos rios?
Chega de degradação na Bacia do Velhas!!!