Paraopeba
Nos dias 14 e 15 de junho, foi a vez das Comissões da Região 4 (comunidades dos municípios de Pompéu e Curvelo) se encontrarem para debater a organização para o início dos Projetos de Demandas das Comunidades Atingidas – o Anexo 1.1 do Acordo Judicial de Reparação. O Encontro das Comissões da Região 5 aconteceu no fim de semana anterior, dias 7 e 8. Estiveram presentes representantes de todas as 10 Comissões e dos Povos e Comunidades Tradicionais que compõem a região.
Após a verificação de quórum, conforme regimento interno da Instância Regional 4, a diretora-executiva do Guaicuy, Carla Wstane, fez uma fala de abertura, lembrando o histórico de luta das comunidades atingidas das Regiões 4 e 5. Depois do tradicional minuto de silêncio pelas vítimas do crime-desastre, Carla apresentou o Rio do tempo do Anexo 1.1 – Projetos de Demandas das Comunidades, lembrando momentos importantes desde a assinatura do Acordo Judicial de Reparação, passando pela seleção da Entidade Gestora, pela conferência de danos coletivos, até a determinação do início do Projeto Piloto, em junho de 2025.
A coordenadora regional Enya Barros apresentou, então, o vídeo da Coordenadora-Geral da Cáritas Minas Gerais, Anna Crystina Alvarenga, no qual ela saudou as Comissões e justificou a razão da Entidade Gestora não estar presente no Encontro. Segundo Anna, a Entidade Gestora ainda não conseguiu contratar a equipe que atuará na execução do Anexo 1.1.
No sábado, as pessoas participantes foram divididas em dois grupos para discutir a estrutura de governança para o Anexo 1.1 e os desafios e potencialidades das Comissões para a estruturação dos Conselhos e Setores Locais. Na plenária, cada grupo apresentou os resultados de suas discussões, destacando sempre o lema “a união faz a força”.
Outro consenso importante foi a definição do fluxo de diálogo entre Conselhos ou Setores Locais, Comissões e comunidades, buscando capilaridade, legitimidade de representação e transparência em relação às informações e deliberações. A plenária também defendeu que os Conselhos e Setores Locais dialoguem entre si, garantindo a harmonia e a coesão regional.
No domingo, a diretora Carla Wstane apresentou também um panorama do futuro da Assessoria Técnica Independente, que deve permanecer mais dois anos no território para acompanhar a execução do Anexo 1.1 e seguir acompanhando o processo judicial pela reparação, com um novo Plano de Trabalho.
Os adolescentes presentes no Encontro participaram mais uma vez da Mídia Jovem, com a equipe de Comunicação do Guaicuy. Na quarta edição da oficina, com os jovens super entrosados, a novidade foi a gravação de um jornal, além das entrevistas com membros das Comissões em vídeo e da participação na cobertura fotográfica.
No encerramento do evento, os jovens se apresentaram e contaram sobre a experiência do fim de semana, sendo aplaudidos pelos adultos. Foi exibido o vídeo com entrevistas feitas nas comunidades, fruto das oficinas realizadas anteriormente com a equipe do Guaicuy. Tanto o vídeo quanto a apresentação demonstraram a evolução da formação dos jovens comunicadores populares da Região 4.
Para as crianças, a ciranda teve brincadeiras educativas, oficina de brinquedos, pintura facial e pula-pula. No encerramento, a apresentação da quadrilha foi marcada por frases como “é tempo de união, vamos juntos lutar” e “pelo Rio limpo e o verde a brotar”.
Ao final do primeiro dia do Encontro, houve também um espaço de troca de mudas e sementes, dialogando com o lema do evento, “semear a luta, colher direitos”. As mudas e sementes foram doações da EMATER Sete Lagoas, do Horto Florestal de Pompéu e das próprias pessoas atingidas participantes.
Durante o momento Cultural, ocorreu mais uma edição da já tradicional Catira do Cerrado, feira de produções das pessoas atingidas – pães, doces, geleias, vegetais, sabão caseiro, entre outras – na qual é utilizada a moeda social Paraopeba.
Para essa edição da feira, as produtoras e comerciantes contaram com um material formativo produzido pelo Guaicuy, para ajudar a precificar os itens e manter o registro das vendas e trocas.
Depois de muita discussão, os encaminhamentos do 5º Encontro de Comissões da Região 4 foram:
Segundo a estrutura proposta, a Região 4 terá dois Conselhos Locais, além dos Setores Locais, que serão compostos pelos Povos e Comunidades Tradicionais. Na discussão do sábado, baseados principalmente na proximidade geográfica e similaridade de projetos, mas também levando em conta união, integração e ajuda mútua, os presentes decidiram dividir as dez Comissões entre os dois Conselhos, da seguinte forma:
Cristina Chagas, da Comissão Baú e Piau, avalia que “o Encontro foi muito produtivo, a gente colocou tudo que a gente quer em relação ao Anexo 1.1, o que a gente quer que a Cáritas faça, e que a ATI trabalhe junto com a gente em tudo que a gente precisar. De agora para a frente, é a construção dos projetos”.
“Foi muito bom participar da plenária, poder fazer perguntas e ter respostas”, diz Leandra Campos, da comunidade quilombola Saco Barreiro, em Pompéu. “Discutimos o que é necessário, como a Guaicuy acompanhando nossos projetos”, completa. Ela também se mostra orgulhosa da participação das duas filhas na Mídia Jovem: “achei uma coisa muito interessante, para que os jovens aprendam e queiram ser e assumir que somos atingidos, mostrar como é a realidade deles. Esse engajamento vai ser muito bom para os nossos jovens!”.
Glayson Ferreira, representante do Povo Indígena Kaxixó na Região 4, destaca a importância de participar do Encontro: “precisamos ter o conhecimento para correr atrás dos nossos direitos, para buscar bons projetos no Anexo 1.1 para a nossa comunidade”.
Veja aqui as fotos do 5º Encontro de Comissões da Região 4
Confira também os materiais gráficos produzidos para o Encontro
Imagem: Daniela Paoliello/Guaicuy.
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13 de junho de 2025
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