Ao longo dos anos, o Instituto Guaicuy/Projeto Manuelzão vem desempenhando atividades que buscam a abordagem multidisciplinar, intersetorial, interinstitucional e principalmente entre saberes populares e conhecimentos científicos. Esse trabalho busca articular a sociedade civil com o poder público e usuários de água, através da estruturação de Núcleos de mobilização populares para discussões socioambientais organizados por microbacias hidrográficas.
Essa iniciativa, com abordagem participativa, resultou na criação dos 40 Núcleos, através dos quais se discute os conflitos pelo uso da água, a relação com as populações atingidas por grandes empreendimentos e pelo avanço das mineradoras sobre grandes áreas de produção de água. Tais grupos deram origem, e preencheram com participação da sociedade civil, 23 Subcomitês vinculados ao Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, fazendo com que a gestão das águas ocorra de forma participativa conforme preconiza a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei 9433/97).
O Instituto Guaicuy tem representações sociais em diversos fóruns participativos visando a criação de políticas públicas no qual destacam-se: Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, Fórum Mineiro de Comitês de Bacias Hidrográficas; Conselho do Parque 5 Estadual do Sumidouro; Parque Nacional Serra do Gandarela; Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Minas Gerais; Conselho Nacional e Estadual de Meio Ambiente; Conselho Nacional de Meio Ambiente, dentre outros.
Apolo Heringer Lisboa – Professor de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ambientalista, sanitarista e idealizador do Projeto Manuelzão. Fundou o Instituto Guaicuy com a intenção de ampliar essa atuação para espaços decisórios, como comitês e conselhos.
Antônio Leite – (In memoriam) Foi professor de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No Instituto, contribuiu com projetos relacionados à poluição do ar e coordenou o Subcomitê Arrudas, no Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio das Velhas.
Antônio Thomaz Gonzaga da Matta Machado – Professor de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Presidiu o Comitê de Bacias do São Francisco por dois mandatos e contribuiu para diversas ações relacionadas ao tema das águas no Instituto.
Tarcísio Márcio Magalhães – Professor de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi Responsável pela coordenação geral do Subcomitê da bacia hidrográfica do Ribeirão da Onça, contribuindo para todos os núcleos e atividades no território.
Marcus Vinicius Polignano – Professor de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É diretor atual do Instituto Guaicuy e já ocupou também a presidência, colaborando para todas as frentes de atuação da instituição.
José de Castro Procópio – Publicitário e gestor ambiental. É o atual presidente do Instituto. Foi responsável por todo o projeto editorial da organização e desenvolve também a gestão dos projetos do Guaicuy.
Ronald Carvalho Guerra – Agricultor e ambientalista, é o atual vice-presidente do Instituto e coordenador da equipe de Assessoria Técnica Independente de Antônio Pereira. Sua experiência como líder das expedições realizadas no Rio das Velhas pelo projeto Manuelzão ajudou o Instituto Guaicuy a desenvolver também metodologias potentes de educação ambiental para novas ações.
Joana D’arc de Souza – Artista plástica, acompanha as ações desde os primeiros anos, contribuindo para as ações de educação ambiental e produção de atividades. Atualmente é secretária do Instituto, atuando na gestão das atividades desenvolvidas, além de analista de integração na Assessoria Técnica Independente (ATI) de parte das comunidades atingidas pela Vale no Paraopeba.
Eugênio Goulart de Andrade – Professor de Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Colaborou com o projeto editorial do Instituto e com a construção das frentes de atuação.
Carla Wstane – Geógrafa, contribui para as ações de educação ambiental e mobilização social. Atualmente é a segunda secretária do Instituto.
Elton Antunes – Professor de comunicação na Universidade Federal de Minas Gerais. Acompanhou desde o início as ações de comunicação do Instituto.
O Guaicuy foi criado em 2000 por gente que carrega consigo o repertório acumulado pelas décadas de trabalho do Projeto Manuelzão (UFMG), como professores, pesquisadores e ativistas sociais. Confira a linha do tempo com os principais marcos do Projeto Manuelzão e do Instituto.
A iniciativa foi de um grupo de professores da Faculdade de Medicina da UFMG, a partir da percepção de que a saúde não deve ser apenas uma questão médica, mas também socioambiental. O objetivo é trazer os peixes de volta ao rio, como indicadores de saúde e qualidade de vida.
O Instituto Guaicuy teve participação, em formato de convênio, nesse projeto da prefeitura de BH voltado para revitalização de rios e retirada de famílias em áreas de risco de fundos de vale, além de recuperação de cursos d’água com parques lineares.
Em junho de 2001 o Guaicuy foi oficializado para representação político-social e jurídica, com objetivo de facilitar a participação em conselhos e outras instâncias de participação e deliberação popular.
Inicialmente chamados de “comitês”, os Núcleos Manuelzão estão no DNA no Instituto Guaicuy. A metodologia de participação e empoderamento popular das bases está presente em diversas ações e projetos do Instituto.
Início do projeto de educação ambiental em parceria com escolas públicas de Minas Gerais. As ações e projetos concebidos e implementados nas comunidades escolares sempre fomentaram a transdisciplinaridade e o ensino-aprendizagem contextualizado e interativo. Os fundamentos para a construção da metodologia desses trabalhos tiveram como guia a integração entre estudante e ambiente natural e a comunidade corresponsável e proativa.
Foram percorridos os 804 km do Rio das Velhas, da nascente, em Ouro Preto, à foz, em Barra do Guaicuí, em 29 dias. A expedição permitiu um importante diagnóstico da condição do rio e da necessidade de sua revitalização. Em cada parada, a Expedição foi recebida pelas comunidades locais, escolas e membros dos Núcleos Manuelzão.
A partir de discussões e análises ocorridas na Expedição, o Projeto Manuelzão deu vida à Meta 2010: navegar, nadar e pescar no Rio das Velhas, sobretudo no trecho da Região Metropolitana de Belo Horizonte. No ano seguinte, o governo de Minas assumiu um compromisso com a Meta e a oficializou como um de seus projetos estruturadores.
Adentrando a agenda Cultura, o Projeto passou a celebrar a cultura do Velhas com a participação de artistas vindos de várias regiões da bacia hidrográfica.
Articulação social pela implantação do Sistema de Unidades de Conservação no Vetor Norte, em contrapartida ao aeroporto da Linha Verde e ao Centro Administrativo, visando a diminuição do impacto do desenvolvimento econômico.
De maio a junho de 2009 ocorreu uma nova grande edição da Expedição pelo Velhas. Diferentemente da primeira, que tinha seu foco no rio, essa última buscava salientar a relação da população ribeirinha com o território em que vive.
Em agosto de 2010, o projeto celebrou o alcance de cerca de 60% dos objetivos da Meta 2010 com um mergulho no Rio das Velhas, na altura do município de Santo Hipólito. Participaram do evento autoridades municipais e estaduais e ali foi lançada a Meta 2014 — consolidar a volta dos peixes e nadar no Rio das Velhas, no trecho da RMBH, em 2014.
Início da atuação político-social do Guaicuy para a aprovação da lei Mar de Lama Nunca Mais.
Entre os meses de maio e junho, a Expedição realizada pelo Projeto Manuelzão e CBH Rio das Velhas percorreu 107 km do rio e chamou a atenção por onde passou para a crítica situação do manancial. Apesar de imagens que preocuparam os canoístas, paisagens também alegraram o percurso e fizeram repensar o Rio das Velhas para revitalizá-lo.
Com o segundo grande desastre-crime de rompimento de barragem em Minas Gerais, o Guaicuy intensificou seu envolvimento político e social com a questão. Foi parte ativa do Gabinete de Crise, criado logo após o desastre para acompanhar as ações e, no segundo semestre do ano, foi eleito como uma das Assessorias Técnicas Independentes que atuariam com as pessoas atingidas.
Após a liberação dos recursos, o Instituto iniciou os trabalhos da ATI Paraopeba em maio de 2020, com o primeiro edital de contratação de equipe e início de compra dos equipamentos necessários para os trabalhos.
Em 2021, o Guaicuy foi escolhido pela população de Antônio Pereira (Ouro Preto) como Assessoria Técnica Independente no processo de descomissionamento da Barragem Doutor, operada pela Vale. Após diversos imbróglios judiciais, o trabalho pôde ser oficialmente iniciado em 2023 com ações de acolhimento e orientação à comunidade.