O termo “greenwashing” pode até ser uma novidade para você, mas a prática infelizmente provavelmente não é. Em português, a tradução seria “lavagem verde”, mas fica mais fácil de entender quando chamamos por uma expressão mais explícita: propaganda enganosa ambiental.
Nos últimos anos, a preocupação ambiental tem tido cada vez mais espaço nos debates da sociedade. E isso é muito importante, pois vivemos em um mundo que tem consumido de forma exacerbada, causando impactos ambientais imensos, passando pelos efeitos da emergência climática. O colapso pode ser evitado, mas são precisos compromissos globais que devem partir principalmente de empresas, que são as maiores poluidoras do planeta.
Nesse cenário, destacam-se no mercado as empresas que se mostram preocupadas não apenas com a sustentabilidade financeira da marca, mas com a sustentabilidade ambiental. Produtos e serviços alinhados com práticas responsáveis chamam a atenção dos consumidores e, com isso, ganham inclusive em valor de mercado.
É urgente diminuir o impacto social e ambiental dos produtos, reduzir resíduos, implementar logística reversa, reduzir a pegada de carbono, usar recursos naturais de forma eficiente, respeitar as condições de trabalho de quem faz parte da cadeia produtiva, entre outras ações.
No entanto, o abismo entre ser e parecer tem se mostrado grande demais. Muitas empresas utilizam estratégias de marketing para enganar a população, fazendo com que os consumidores pensem que estão adquirindo produtos mais ecológicos, enquanto a sustentabilidade aparece apenas no discurso, não na prática.
Alguns exemplos de greenwashing são o uso de termos genéricos como “natural” ou “eco-friendly” sem comprovação, embalagens verdes e/ou com imagens de plantas em produtos feitos com ingredientes ambientalmente tóxicos, indicação de “reciclável” em materiais que não são reciclados na prática e campanhas “verdes” realizadas por empresas altamente destruidoras.
No caso dos consumidores, o que se pode fazer para evitar ser enganado por estratégias de greenwashing é desconfiar. Quando a empresa realmente é sustentável, expressões como ecológico e natural são acompanhadas de selos e certificações ambientais que comprovam as ações. Outro ponto que pode ser mais confiável é a existência de relatórios e compromissos públicos com informações e dados verificáveis.
Mas a verdade é que a maior defesa contra o greenwashing precisa ser garantida pelo poder público, por meio de regulamentação e fiscalização rígida. Um exemplo é a Ação Civil Pública (ACP) proposta pelo Instituto Humanizar, que tramita na Justiça Federal desde 2020. A ACP busca responsabilizar empresas que “fabricam e comercializam produtos plásticos feitos com aditivos químicos pró-degradantes conhecidos como oxidegradáveis e falsamente divulgados como sendo ‘biodegradáveis’”. Essa é uma prática que leva os consumidores a descartar embalagens de forma inadequada, impactando negativamente o ecossistema.
O Instituto tem ainda a campanha “Greenwashing? Tô fora!”. Além de fornecer informações sobre a prática, o site também recebe fotos e vídeos de produtos enviados por consumidores e realizada uma análise para conferir se é ou não um caso de greenwashing. Os resultados das investigações já realizadas podem ser verificados no site: propagandaenganosa.org.br/blog.
Foto: Acervo Guaicuy
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