Por Marcus Vinícius Polignano, diretor do Instituto Guaicuy
O Dia Mundial da Água poderia muito ser bem chamado de Dia Mundial da Vida, porque a vida somente foi possível neste planeta em função da existência de água na forma líquida. O que temos observado ao longo da história é que se a água é o elemento vital para a vida do planeta, as ações econômicas e as ações de governo não são efetivamente de preservação e da valoração desse bem natural e essencial à vida.
Ao contrário, os nossos rios estão cada vez mais contaminados pelos produtos químicos, pelos rompimentos de barragem, pela contaminação de esgotos. Isso, além de matar toda a biodiversidade aquática, leva à morte. Leva o desalento para todas as comunidades que vivem ao longo do seu trajeto e, consequentemente, os rios que se localizam em bacias hidrográficas passam a ser fonte não de vida, mas de morte.
Neste Dia Mundial da Água queremos conclamar a todos para defenderem rios vivos, rios que possam alimentar peixes e toda a biodiversidade. Proclamarmos as águas como direito não só humano, mas um direito essencial de toda a biodiversidade do planeta.
A privatização cada vez mais frequente das águas, por valores irrisórios, gera menos disponibilidade hídrica para as comunidades. Os custos se transferem para a sociedade quando a água deixa de ser um bem natural e passa a ser uma commodity negociada. Quando os grandes e poderosos se apropriam desse bem essencial.
Na bacia do Rio Paraopeba, as comunidades querem o seu rio vivo de volta. Na bacia do Rio das Velhas, o grande objetivo é consolidar a Meta 2034 para efetivamente reduzir e tratar os esgotos da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Buscamos mobilizar as comunidades para que possamos ter novamente rios vivos. Rios que possam transbordar de peixes, de biodiversidade. Queremos que as comunidades lancem para o futuro um sinal de esperança. Sinal de certeza de que as coisas só vão mudar quando todos se unirem pelo bem coletivo das bacias hidrográficas.
As águas espelham a nossa mentalidade civilizatória.
O que você achou deste conteúdo?