Instituto Guaicuy

Estudo vai avaliar segurança dos alimentos produzidos no Paraopeba

18 de maio, 2026, por Comunicação Guaicuy

Está em fase inicial o Estudo da Produção Agropecuária e do Pescado na Bacia do Rio Paraopeba. Parte do processo de reparação do desastre-crime da Vale, o estudo busca avaliar se o que é produzido na terra ou pescado no rio e na represa pode ser consumido com segurança. O trabalho também procura investigar se há relação entre os contaminantes químicos do rejeito e a cadeia alimentar da bacia do Paraopeba.

Como foi tomada a decisão para a execução do estudo?

Embora o tema não fizesse parte do Acordo de Reparação, ele foi iniciado após uma forte demanda das próprias pessoas atingidas, das Instituições de Justiça (IJs) e do Governo de Minas Gerais, que viram a necessidade de respostas técnicas sobre a qualidade dos alimentos e sobre os possíveis impactos à saúde pública. O foco deste estudo é a Segurança do Alimento, que trata especificamente da “inocuidade”, ou seja, de garantir que o alimento não ofereça riscos de contaminação química ou física para quem consome.

O que é esse estudo? 

O estudo tem um objetivo direto, voltado para o dia a dia das pessoas atingidas. Ele pretende responder ao questionamento: o que as pessoas plantam, criam e pescam na Bacia do Paraopeba é seguro para ser consumido e para ser comercializado? 

O foco é entender se existe o chamado nexo de causalidade. Ou seja, se uma possível contaminação veio especificamente dos rejeitos do rompimento. O estudo servirá para que o produtor e o consumidor tenham segurança quanto à qualidade do que está sendo vendido e consumido.

Quem é responsável pelo estudo?

É o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, conhecido como COPPE/UFRJ. 

A auditoria independente AECOM fiscaliza cada etapa, para garantir que os objetivos do estudo sejam alcançados.

Como o estudo vai funcionar?

O planejamento prevê que o trabalho seja realizado em quatro etapas principais. 

  • A Etapa 1, que está acontecendo agora, envolve a revisão de documentos, planejamento e preparação das pesquisas. 
  • Em seguida, na Etapa 2 as equipes irão a campo para coletar amostras e aplicar questionários com os moradores. 
  • As fases finais, as Etapas 3 e 4, servirão para calcular os riscos reais à saúde e criar um plano de comunicação para informar todos os resultados de forma transparente.

A pesquisa também definiu grupos de substâncias químicas para análise, buscando entender o que é natural da região e o que foi trazido pelo rejeito da Vale. 

Quanto tempo vai durar o estudo?

Ao todo, o contrato prevê um período de execução de aproximadamente 41 meses (previsão de janeiro de 2026 a junho de 2029). 

O estudo tem relação com as Perícias do CTC/UFMG ou com os Estudos de Risco?

As perícias coordenadas pelo Comitê Técnico-Científico da UFMG (CTC/UFMG) têm um papel diferente, focado na justiça e no direito das pessoas atingidas à indenização justa. As perícias funcionam como os “olhos do juiz” no território e servem para produzir provas científicas independentes. 

Enquanto o estudo do alimento está preocupado com a qualidade do que é produzido e comercializado, as perícias buscam entender a amplitude dos danos causados pelo rompimento para que, no momento das indenizações individuais, o processo seja justo e as pessoas atingidas recebam o que têm direito, considerando os danos identificados nos territórios.

Já os Estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana e Risco Ecológico (ERSHRE) monitoram de forma geral o solo, a água, o ar e a poeira de todas as regiões (especialmente entre a Região 1 e a 4). Os estudos buscam identificar se o ambiente de uma forma geral oferece risco à saúde das pessoas e/ou riscos ecológicos.

Os dois estudos e as perícias são complementares. Entender essas diferenças pode ajudar as pessoas atingidas a saber o que esperar e cobrar de cada um desses estudos. 

Qual o estudo? Quem executa? Qual o foco principal? Quais regiões atende?
Perícias CTC/ UFMG Produzir provas Da Região 1 à Região 4. Não inclui a Região 5
Estudos de Risco ERM (substituindo o EPA) Riscos à saúde e riscos ecológicos Todas
Estudo da Produção Agropecuária e do Pescado COPPE/UFRJ Qualidade do alimento produzido Todas

Quem será beneficiado pelo estudo?

O principal público deste trabalho são as populações atingidas, agricultores e pescadores da Bacia do Rio Paraopeba e da represa de Três Marias O estudo serve para que os moradores tenham certeza sobre a qualidade dos alimentos produzidos na região e para que os produtores tenham respostas técnicas sobre a qualidade do que estão vendendo. Além disso, os dados ajudarão órgãos de saúde como a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e a Secretaria de Estado de Agricultura (SEAPA) a tomarem decisões e criarem políticas públicas baseadas em evidências científicas sobre qual a real situação dos alimentos produzidos no e dos territórios.

Qual a diferença entre Segurança Alimentar e Segurança do Alimento?

Enquanto a Segurança Alimentar trata do direito de todas as pessoas a terem acesso físico e financeiro a alimentos em quantidade suficiente, a Segurança do Alimento (foco deste estudo) trata da inocuidade. Ou seja, o objetivo aqui é garantir que o alimento esteja livre de perigos químicos, físicos ou microbiológicos que possam adoecer quem o consome.

A empresa executora se reuniu com a ATI? 

Como parte da organização do estudo, antes de realizar os primeiros contatos com as pessoas atingidas, a COPPE/UFRJ se reuniu com as Assessorias Técnicas Independentes (ATIs) e com outros atores do processo de reparação. As reuniões serviram para apresentar o estudo, a equipe técnica, a metodologia, além do cronograma de trabalho a ser realizado. 

Além disso, a empresa buscou informações sobre a realidade territorial de cada uma dos municípios assessorados. Esse fluxo de contato busca tornar o processo de planejamento e execução do estudo mais rápida.

A empresa executora se reuniu com as pessoas atingidas? 

Sim, essa reunião aconteceu no dia 12 de maio de forma híbrida. Parte das pessoas estiveram presencialmente em Belo Horizonte, enquanto outros participaram virtualmente.

Estiveram presentes três pessoas atingidas de cada região, duas de cada ATI, além de representantes das IJs, do Governo de MG, da AECOM, da COPPE/UFRJ, entre outros.

A reunião foi aberta pela COPPE/UFRJ, que apresentou slides com informações básicas sobre o estudo. Foram realizadas perguntas pelas pessoas atingidas.

A solicitação do estudo inclui o território com 29 municípios, das cinco regiões. Serão utilizados estudos anteriores, pontos de outorga e áreas de inundação para selecionar e definir quais serão as áreas possivelmente foram afetadas. Essa é a Etapa 1.

Existe muita desconfiança das pessoas atingidas quanto à COPPE/UFRJ, considerando que outro estudo que foi realizado por eles. À época, em 2020, a instituição disse que o Paraopeba estava se recuperando

Imagem de Paula Constante/Guaicuy

Mais informações

As informações estão disponíveis no site da auditoria da AECOM aqui.

As informações também estão disponíveis no último Boletim Informativo do Guaicuy.

Imagens de Daniela Paoliello/Guaicuy

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