Instituto Guaicuy

São José do Buriti muda com as águas

16 de outubro, 2026, por Comunicação Guaicuy

Era da agricultura que vivia o povo de São José do Buriti, em Felixlândia, antes da construção da represa de Três Marias. Quem conta é Vanderlúcio Ramos, que vive na comunidade há 52 anos. Ele faz parte de uma família de pescadores, mas foi com a construção da represa, que aconteceu entre 1957 e 1962, que a pesca entrou na rotina da população. Além da pesca artesanal, hoje em dia também são comuns os tanques de produção de tilápia.

Essa mudança, no entanto, não ocorreu de forma tranquila. Segundo Vanderlúcio, seu pai e seu avô relatam que os impactos da obra fizeram com que uma parte considerável da população tenha tido que ir embora para sobreviver. O trabalho com a pesca veio como uma alternativa de sustento para quem ficou por ali. E foi a pesca também que atraiu para a região muitas pessoas do Nordeste, que já sabiam lidar bem com esse ofício e viram na nova realidade da comunidade uma oportunidade. Muita gente se mudou e estabeleceu família na região.

A população, que viveu tantas mudanças com a construção da represa, foi novamente atingida pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, cujo rejeito correu pelo Rio Paraopeba e chegou até o Rio São Francisco. Vanderlúcio lamenta os impactos do desastre-crime: “Antigamente era tranquilo, tudo de bom. Não era igual hoje. A gente anda com medo da água, porque a gente não sabe o que acontece. É um lugar bom, mas era melhor ainda sem esse rompimento”.

Com isso, mais uma vez a comunidade de São José do Buriti precisou se reinventar. Hoje, é no fortalecimento do turismo que a população encontra a esperança de retomada socioeconômica. Esse é um dos objetivos da Comissão CSV (Campina Grande, São José do Buriti e Várzea do Buriti), da qual Vanderlúcio faz parte: “Queremos mostrar pras pessoas e falar com os turistas que a gente tá trabalhando pra fazer o melhor pra eles aqui, pensando em fazer uma estrutura para recebê-los melhor”, conta.

Essa melhoria na infraestrutura ajudaria a melhorar a experiência dos turistas em eventos que já acontecem na região, como o Carnaval e a Barqueata de Nossa Senhora Aparecida, realizada anualmente em 12 de outubro. Além disso, a comunidade pensa em projetos que auxiliem os jovens a se manterem na própria comunidade. Quando não há lazer, capacitação e empregos, é muito comum que eles deixem cedo suas casas. “A gente pensa muito hoje na nossa juventude aqui, pra tirá-los do caminho ruim e levar pro caminho bom”, deseja Vanderlúcio.

Texto originalmente publicado no Piracema, número 20.

Clique aqui para ler e baixar a publicação

Imagem destacada: Daniela Paoliello/Guaicuy

Gostou do conteúdo? Compartilhe nas redes sociais!

O que você achou deste conteúdo?

O seu endereço de e-mail não será publicado. Todos os campos são obrigatórios.

Ao comentar você concorda com os termos de uso do site.

Moderação de comentário está ativada. Seu comentário pode demorar algum tempo para aparecer.

Assine nossa newsletter

Quer receber os destaques da atuação do Guaicuy em primeira mão? Assine nosso boletim geral!