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Em que pé está o Anexo 1.1?
15 de outubro de 2025
No dia 27 de outubro, a Entidade Gestora do Anexo 1.1 – consórcio liderado pela Cáritas Minas Gerais – divulgou o Crédito Solidário Microfinanças (antigo Banco do Povo) como parceiro na execução do programa de crédito e microcrédito para as pessoas atingidas pela Vale. No site da instituição, o Crédito Solidário se apresenta como “referência no apoio aos pequenos empreendedores desde 1998”.
As linhas de crédito e microcrédito são empréstimos acessíveis para as pessoas atingidas. O programa, que é parte do Anexo 1.1 do Acordo Judicial de Reparação, destina R$ 1 bilhão (dos R$ 3 bilhões totais do Anexo) para auxiliar na reparação econômica das comunidades, fortalecendo pequenos negócios, gerando emprego e renda, e movimentando os comércios locais. Esse programa será construído pelas comunidades, através dos Conselhos e Setores, com apoio da Entidade Gestora e das Assessorias Técnicas Independentes (ATIs).
O crédito solidário busca apoiar empreendimentos coletivos — associações, cooperativas e grupos produtivos — que geram trabalho e renda de forma democrática. Já o microcrédito se volta para iniciativas menores, muitas vezes individuais ou familiares, mas que compartilham os mesmos valores de solidariedade e sustentabilidade.
Para subsidiar a construção do programa de crédito e microcrédito pelas comunidades, a Proposta Definitiva do Anexo 1.1 prevê formações para as pessoas atingidas – tanto membros dos Conselhos e Setores, quanto aquelas interessadas nos empréstimos – sobre os bancos comunitários, os fundos rotativos solidários e educação financeira. Essas formações deverão ser ofertadas por Agentes Comunitários de Crédito e Desenvolvimento: profissionais, contratados pela Entidade Gestora, responsáveis por orientar e acompanhar as pessoas atingidas.
Leia e baixe aqui o Guia de Trabalho do Programa de Crédito e Microcrédito do Anexo 1.1
Cabe diferenciar as funções do Crédito Solidário, que será responsável pelas linhas de crédito e microcrédito, e do Instituto E-Dinheiro, que compõe a Entidade Gestora, e atuará como banco comunitário.
“Essas linhas de financiamento têm como objetivo viabilizar o desenvolvimento local, permitindo que comunidades atingidas possam investir em suas atividades produtivas, melhorar suas condições de vida e fortalecer os laços comunitários”, explica Julia Barbosa, assessora de Projetos Socioeconômicos do Instituto Guaicuy. “O foco está em construir relações de confiança e corresponsabilidade, onde o retorno financeiro é importante, mas o retorno social e humano é central. Assim, o crédito e microcrédito solidário não se limitam a emprestar dinheiro, eles reconhecem capacidades, estimulam o protagonismo e criam redes de apoio mútuo”, completa. Para Julia, “se desenvolvido com responsabilidade e participação das pessoas atingidas, será uma forma de democratizar o acesso a recursos e transformar o crédito e o microcrédito em um instrumento de emancipação”.
As definições sobre o programa de crédito e microcrédito do Anexo 1.1, construídas com as pessoas atingidas, podem ser consultadas na Proposta Definitiva (páginas 35 a 43). Para acompanhar os projetos comunitários, acompanhe a Comissão e os Conselhos da sua comunidade!
Imagem: João Carvalho/Guaicuy.
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