Instituto Guaicuy

Plano de Recuperação Socioambiental da Bacia do Paraopeba – atualização de fevereiro de 2026

18 de março, 2026, por Comunicação Guaicuy

O Instituto Guaicuy acompanha, como ouvinte, as reuniões mensais de monitoramento do Programa de Recuperação Socioambiental da Bacia do Paraopeba, conduzidas no âmbito do Acordo Judicial de Reparação firmado após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Nessas reuniões, a AECOM, empresa responsável pela auditoria das ações, apresenta às Instituições de Justiça e ao Estado de Minas Gerais (compromitentes do Acordo) um diagnóstico técnico sobre o cumprimento das obrigações assumidas pela Vale.

Seguem as atualizações apresentadas na última reunião, realizada em 6 de fevereiro de 2026.

Leia o boletim completo aqui

Monitoramento das águas e sedimentos

O desempenho das ações de monitoramento entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025 foi de 98,7%. Isso indica que a maior parte das atividades auditadas pela AECOM está em conformidade com os procedimentos e padrões estabelecidos. No período, foram realizadas 149 auditorias, que identificaram sete pontos de atenção.

Apesar do índice aparentemente satisfatório, foram registradas ocorrências relevantes em dezembro: em um ponto de monitoramento, amostras foram recebidas com temperatura acima do limite normativo, o que pode comprometer a confiabilidade dos resultados. Também foram identificados problemas pontuais no Programa de Distribuição de Água Potável, como teor de cloro residual abaixo do padrão em dois caminhões-pipa e condições inadequadas em uma nova área de higienização dos veículos, no município de Paraopeba.

Segurança das estruturas remanescentes

No período chuvoso de dezembro de 2025 a janeiro de 2026, as barragens e demais estruturas remanescentes da Mina Córrego do Feijão apresentaram comportamento dentro do esperado. No entanto, algumas estruturas permanecem em condição limítrofe de estabilidade e seguem demandando intervenções estruturais para adequação definitiva.

Destaca-se a situação da estrutura B-I, que ainda requer obras e a remoção dos rejeitos acumulados. O início dessa remoção, anteriormente previsto para abril deste ano, foi adiado para setembro, em função da entrega parcial do projeto detalhado. Por outro lado, o novo projeto apresentado reduziu significativamente a área em que seria removida a vegetação nativa. O cronograma de descaracterização das barragens permanece estendido até 2032.

Avanços e desafios na recuperação ambiental

As obras de recuperação ambiental nos Remansos 1-A e 2, em Brumadinho, foram concluídas ao final de 2025, com implantação de áreas de revegetação, controle de erosão e estruturas de apoio à recomposição ecológica. Contudo, inspeções identificaram diversos pontos de atenção, relacionados principalmente a processos erosivos, assoreamento de calhas e baixa fixação da vegetação.

A AECOM recomendou a elaboração de um plano de ação específico para o Remanso 2, acompanhado de cronograma detalhado, além do fortalecimento dos programas de monitoramento e controle.

Manejo e disposição dos rejeitos

Na Zona Quente – área diretamente impactada pelo rompimento da barragem – o volume de rejeitos removido em 2025 superou a meta prevista: foram 12.247 milhões de metros cúbicos. Até o momento, aproximadamente 45% do volume total previsto foi disposto,  permanecendo cerca de 4,6 milhões de metros cúbicos de rejeito armazenados em depósitos temporários, além de 634 mil metros cúbicos de material de grandes dimensões. A previsão de conclusão da disposição dos rejeitos na cava é 2030.

Limpeza do Rio Paraopeba

A dragagem (retirada de rejeitos) do Rio Paraopeba segue em andamento, com avanço real registrado apenas no trecho inicial, dos primeiros três quilômetros do curso do rio. Dessa área, foram removidos cerca de 280 mil metros cúbicos de sedimentos. A conclusão desse trecho é prevista ainda no mês de fevereiro.

Nos demais trechos, os trabalhos ainda se encontram em fase inicial ou de planejamento. De forma geral, estima-se que cerca de 15% do material mapeado ao longo do rio tenha sido removido. Isso indica a necessidade de ampliação das frentes de dragagem para acelerar o processo de recuperação.

Cabe lembrar que o cronograma original previa a limpeza de 46 Km do Rio Paraopeba até 2024.

Perspectivas para 2026

Para 2026, é prevista a apresentação de novos planos para a reparação do Rio Paraopeba, incluindo ações específicas para calhas, reservatórios e áreas inundadas. Também estão programadas obras de recuperação ambiental que, em conjunto, devem alcançar a meta de 131 hectares até o final do ano.

O Instituto Guaicuy reafirma seu compromisso com o acompanhamento técnico contínuo das ações de reparação socioambiental, com atenção especial à efetividade das medidas adotadas, à transparência das informações e à garantia dos direitos das comunidades atingidas pela Vale na Bacia do Rio Paraopeba. 

Imagem: acervo Guaicuy.

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