No dia 27 de agosto, as comunidades Faveira, Buritizinho, Riachão e Ilha do Mangabal se reuniram em Riachão para dar mais um passo na luta por reparação. A reunião foi toda organizada pela Comissão Faburima e aconteceu sem apoio do Guaicuy, o que demonstra um grande avanço na auto-organização das pessoas atingidas.
Para garantir a participação de todos, os próprios moradores se articularam em um esquema de caronas, mostrando que a união e a força comunitária seguem firmes. O encontro teve como foco o repasse das informações discutidas com a Entidade Gestora, responsável pela execução do Anexo 1.1. Foi destacado que houve avanços, como a divulgação da lista preliminar de comunidades elegíveis, que incluiu todas as assessoradas pelo Guaicuy nas Regiões 4 e 5.
Mas os moradores também expressaram frustrações: continuam as dúvidas sobre critérios de reconhecimento, sobre a distribuição justa dos recursos e sobre a transparência na aplicação dos investimentos. Entre as críticas, os participantes lembraram que o Programa de Transferência de Renda (PTR) trouxe muitos problemas e prejudicou o direito das pessoas, por isso não deve servir de referência para os anexos.
Três reivindicações principais foram reafirmadas:

A falta de saneamento básico surgiu como um ponto urgente. Moradores relataram que ainda vivem com cisternas improvisadas, sem abastecimento adequado de água e rede de esgoto. “Essa é a nossa briga central agora”, reforçaram.
Os debates também trouxeram propostas sobre como os recursos devem ser aplicados. Ficou explícito que o crédito e o microcrédito precisam fortalecer a produção local, como agricultura, pesca e pequenas agroindústrias, e não servir para gastos pessoais. Ideias de criação de cooperativas também apareceram como caminho coletivo e sustentável para geração de renda.
Projetos comunitários, como a construção de centros de convivência, ganharam força. A proposta é que esses espaços sirvam para encontros, cursos, feiras e para o escoamento da produção, beneficiando todas as comunidades, sem exclusões. Ao final, os participantes reforçaram que a mobilização popular segue sendo a principal garantia de que os direitos das comunidades serão respeitados. “Não dá pra tratar esse dinheiro como oba-oba. É coisa séria, que precisa de união, compromisso e responsabilidade”, resumiu um dos conselheiros.
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