Sucesso entre feirantes e fregueses, a Feira Comunitária de Forquilha do Cabral acontece há mais de um ano. A iniciativa partiu da Comissão Formosa, que representa as comunidades de Forquilha do Cabral e Morrinhos, do município de Três Marias. A Comissão pensou a feira como uma alternativa econômica para produtoras e produtores locais de hortaliças, quitutes, artesanato e afins, prejudicados pelo rompimento da barragem da Vale em 2019.
Na região de Três Marias, banhada pela represa de mesmo nome e pelo Rio São Francisco, os prejuízos do rompimento atingem principalmente as pessoas que trabalham (ou trabalhavam) nas cadeias produtivas da pesca e do turismo. O medo da contaminação afastou os turistas e diminuiu a compra do pescado da região, impactando a economia local e, principalmente, a renda das famílias. A Feira Comunitária da Forquilha surgiu, então, como uma oportunidade para quem tem enfrentado dificuldades financeiras desde o desastre-crime.
Rosangela da Silva, moradora do Arraial da Forquilha há 21 anos, vende na feira os bolinhos de peixe, pastéis, caldos e a feijoada que ela mesma faz – as Delícias da Rosa, que também leva para vender em Três Marias. Feirante desde a primeira edição, Rosa, como prefere ser chamada, trocou há cinco anos o trabalho de diarista pela produção dos quitutes – “sempre cozinhei em casa, em festas, e as pessoas gostam do meu tempero. Deus me deu um dom”, diz ela. Para a cozinheira, a Feira Comunitária surgiu como complemento de renda, mas tornou-se, principalmente, um espaço importante de socialização – “anima o lugar, a gente fez amizades”, conta.
Já Nora Ney leva à feira amostras das roupas e bordados que ela confecciona e vende em sua loja, Arte e Consertos, para mostrar à clientela e pegar encomendas. A belo-horizontina, que mudou-se para Três Marias em busca de sossego, conta que a costura e o bordado, que escolheu como trabalho há quase 30 anos, hoje são também uma forma de terapia. Para Nora, o principal ganho na Feira da Forquilha é a comunhão com as pessoas, que faz muito bem à saúde mental de quem vive na comunidade – “é bênção na vida de todo mundo”, comemora. Além das roupas e bordados para exibir e vender, ela também leva mudas de suas plantas para distribuir entre as pessoas queridas na feira. “Essa coisa boa de amizade, de aconchego, faz parte da vida da gente”, diz a feirante, contente.
Maria Denise não trabalhava com vendas, mas achou uma forma de participar da feira criando um bazar. Ela leva roupas usadas – “todas em bom estado”, destaca – para vender na feira, e também separa peças para doação. Ela conta que o envolvimento com a Feira Comunitária foi motivado por questões de saúde: buscou os vínculos comunitários para ajudar na luta contra a depressão. E funcionou “melhor que remédio”, segundo ela. “Gosto demais da união de todo mundo, gostaria que essa feira não acabasse nunca”. E louva a qualidade dos produtos: “o dinheirinho que eu ganho na feira já gasto lá mesmo, as comidas são todas muito gostosas”.
Fortalecer a Feira Comunitária da Forquilha é um dos projetos a serem executados na Região 5 através do Anexo 1.1 do Acordo Judicial de Reparação, que trata dos projetos de demandas das comunidades e linhas de crédito solidário. Além disso, as feirantes pensam em buscar novas atrações para chamar mais público – Rosangela conta que chegou a procurar músicos para se apresentarem ao vivo. Denise destaca o esforço da organização, afirmando que “temos que continuar melhorando, para fazer jus a esse trabalho”.
A feira acontece aos sábados, e a próxima edição está marcada para o dia 17 de janeiro.
Assista ao vídeo com depoimentos de outras feirantes da Forquilha do Cabral:
Imagem: acervo Guaicuy.
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