Texto publicado no Piracema 18
No dia 25 de janeiro de 2026 completam-se sete anos do rompimento da barragem da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho, que matou 272 pessoas e poluiu o Rio Paraopeba. O desastre-crime deixou um rastro de destruição e danos ao longo de Minas Gerais e atingiu centenas de milhares de pessoas em vários municípios.
Infelizmente, mesmo passado tanto tempo, a reparação dos danos causados pouco avançou. A maioria das pessoas atingidas segue sem receber uma indenização pelos danos individuais, enquanto o processo de resolução coletiva das indenizações continua a passos lentos na Justiça.
Ao mesmo tempo, mais de 150 mil pessoas sofrem com o fim do Programa de Transferência de Renda (PTR). O auxílio mensal, encerrado em outubro, foi para muitos a única medida concreta de mitigação durante esses anos. Depois de muita pressão e luta das pessoas atingidas, pode ser efetivado um novo Auxílio Emergencial. Seu começo ainda é incerto, mas a Vale teve sucessivas derrotas na Justiça ao buscar não ser a responsável por pagar os valores mensais.
A grande novidade dos últimos meses, que anima as comunidades da Bacia do Paraopeba, Represa de Três Marias e Rio São Francisco, é o início do Anexo 1.1 do Acordo Judicial. No início de 2026 é possível que, finalmente, os primeiros projetos comunitários e linhas de crédito e microcrédito saiam do papel. O avanço do Anexo 1.1 pode ser um catalisador da reconstrução econômica das comunidades atingidas pelo desastre-crime da Vale.
O Instituto Guaicuy segue trabalhando ao lado das pessoas atingidas das Regiões 4 e 5 para garantir a participação informada em todo o processo de reparação. Esperamos auxiliar ainda mais no fortalecimento das formas de organização das pessoas atingidas para lutar por seus direitos. Esperamos, ainda, que em 2027, quando se completarem 8 anos do desastre-crime, haja mais vitórias e mais rapidez no processo de reparação.
Imagem: Fabiano Lana/Guaicuy.
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