Instituto Guaicuy

Nuvem de poeira da mineração volta a atingir a comunidade de Antônio Pereira

26 de junho, 2025, por Ellen Joyce Marques

O medo causado pela incerteza a respeito dos tipos de partículas que compõem a poeira disseminada no ar é um dos danos relatados pela comunidade atingida pelo risco de rompimento e pelas obras da Barragem Doutor, da Vale. 

A poeira tá arrasando o mundo aqui!”, é assim que Aminthas Gonçalves Filho, morador de Antônio Pereira, nos relata a situação do distrito ouropretano na manhã do dia 24 de junho de 2025. Como evidencia a reportagem realizada pelo Instituto Guaicuy em outubro do ano passado, há mais de 10 anos a comunidade denuncia os danos causados pela poeira da mineração, que assola cotidianamente o distrito. “A poeira que os moradores de Antônio Pereira respira vem direto da mineração Vale, vem direto da Barragem Doutor. Naquela poeira tem todo tipo de metal pesado”, relata Maria Helena Rocha, moradora integrante da Comissão de Pessoas Atingidas de Antônio Pereira, que completa: “a mineração se recusa a dar uma solução para essa situação que aflige os moradores”. A comunidade, por meio da sua Comissão de Pessoas Atingidas, cobra medidas eficazes de contenção da poeira.

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Para Aminthas, a interferência da mineração no relevo natural do distrito causada pelas obras, bem como pela extração de ferro e manganês, são a principal causa das intensas nuvens de poeira. “A Vale descaracterizou a serra toda em volta, abriu estrada e a mina de manganês no Miguel Congo. Pode mexer nessa serra, em qualquer lugar você acha manganês, que dá muita poeira, que é um minério fino”, afirma o morador que também lamenta: “Essa poeira, para acabar com ela, é só Deus!”.

Apesar da mineradora Vale afirmar que monitora a qualidade do ar dentro da comunidade de Antônio Pereira, a população pede por estudos independentes, capazes de informar a composição química das partículas de poeira de forma transparente, que gere confiança na segurança e veracidade dos resultados da análise do material. “A gente até hoje não sabe quais metais pesados existem nessa poeira. Precisamos urgentemente de um exame dessa poeira, porque estamos respirando todo esse ar poluído e a Vale nega reconhecer que ela causa todo esse mal para a população”, destaca Maria Helena. 

A ATI Antônio Pereira já recebeu centenas de denúncias sobre os danos causados pela poeira, que vem da área onde ocorrem as obras de descaracterização da Barragem Doutor, da Vale, no distrito. Entre os prejuízos causados pela poeira destacam-se os danos à saúde respiratória e da pele relatados por diversos moradores, o desgaste e gastos com intensificação da limpeza doméstica, além do medo pela incerteza sobre os tipos de partículas que compõem a poeira disseminada no ar. Toda essa situação é agravada nos períodos de seca, o que gera a necessidade da mineradora Vale intensificar medidas de contenção da poeira vinda das obras da Barragem Doutor. Diante disso, o Instituto Guaicuy protocolou três denúncias (Notícias de Fato) no Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) e segue apoiando a população, reunindo fotos, vídeos e depoimentos sobre os danos causados pela poeira de mineração. 

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