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A liberação do Rio Sena para banhistas em Paris, depois de mais de um século de poluição, foi notícia nos últimos dias, chamando a atenção das pessoas para as possibilidades de lazer nos rios urbanos. Em Belo Horizonte e Região Metropolitana, o Rio Arrudas, o Ribeirão do Onça e a Lagoa da Pampulha são exemplos de cursos d’água que poderiam ser fontes de lazer gratuito para a população, se houvesse um planejamento urbano focado na regeneração hídrica e políticas públicas efetivas.
A recuperação dos cursos d’água não é apenas uma questão técnica, mas profundamente política. Para o sucesso nessa empreitada, além do engajamento das comunidades, são necessários investimento contínuo em infraestrutura, educação ambiental e fiscalização rigorosa. A inclusão dos rios nas paisagens urbanas pode trazer inúmeros benefícios, como a melhoria do clima da cidade, a prevenção de enchentes e a criação de espaços de lazer e convivência. É uma medida de saúde pública e investimento no futuro.
Mostrando que os rios vivos não são um sonho impossível, mas uma necessidade urgente, movimentos como o Comupra e Deixem o Onça Beber Água Limpa, além de entidades como o Projeto Manuelzão, lutam há vários anos pela proteção das águas e matas da cidade.
No 17º Deixem o Onça Beber Água Limpa, evento realizado em junho deste ano, o Subcomitê do Ribeirão Onça, ligado ao Comitê de Bacia Hidrográfica (CBH) Rio das Velhas, apresentou uma moção em defesa da classificação do Ribeirão Onça como corpo d’água Classe 2 – permitindo o consumo humano, irrigação e uso recreativo, após tratamento. A proposta busca a consolidação de avanços em curso, como a ampliação do Parque Ciliar Comunitário do Onça, o controle do lançamento de esgoto e os esforços do Programa Reviva Pampulha, desenvolvidos em parceria com a Copasa e as prefeituras de Belo Horizonte e Contagem. O Instituto Guaicuy é uma das entidades que assina a favor da moção junto do SCBH Onça.
Na edição 95 da Revista Manuelzão, lançada também em junho, foi apresentada a Meta 2034, pela volta abundante do peixe ao Rio das Velhas e seus afluentes. Para o professor Apolo Heringer Lisboa, “está na hora de assumir e pagar a conta que a região metropolitana tem com o restante da bacia. Quem está pagando o pato são as pessoas mais pobres, os animais não humanos e os habitantes rio abaixo”. O idealizador do Projeto Manuelzão afirma na revista que “trabalhar por metas é vencer a morosidade e falta de foco da gestão pública e privada quando se trata do meio ambiente”, citando o sucesso da Meta 2010, que ajudou a estancar a mortandade de peixes na Bacia.
As duas iniciativas se somam ao processo amplo e participativo conduzido pelo CBH Velhas desde agosto de 2024, pelo Enquadramento da Bacia na Classe 2, conforme resolução nº 357/2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Esse esforço visa pressionar os órgãos competentes por investimento real para o tratamento da água, para que chegue à qualidade adequada para o uso humano. O processo tem sido pautado pela escuta ativa e busca de consenso, visando um enquadramento adequado à realidade da Bacia, responsável com o meio ambiente e viável em sua implementação.Nas próximas semanas, deve ser definido o novo enquadramento da Bacia.
“É cada vez mais necessário o engajamento da sociedade civil nas pautas ambientais. O Plano Diretor da Bacia do Rio das Velhas descentralizou as tomadas de decisões, levando a consulta sobre o enquadramento aos Subcomitês vinculados ao Comitê do Rio das Velhas, demonstrando a importância do compromisso com a melhora da qualidade das águas que abastecem a região metropolitana, onde vivem mais de 2 milhões de pessoas”, diz Carla Wstane, diretora técnica do Instituto Guaicuy e doutora em Geografia.
“Para nós, a Meta 2034, assim como a moção do Deixem o Onça Beber Água Limpa são fundamentais para que se concretize o desejo da sociedade por cidades mais resilientes e harmônicas com seus cursos d’água, buscando evitar grandes tragédias diante dos eventos climáticos que se tornarão cada vez mais complexos e agravados” completa Carla, que também é conselheira do Subcomitê do Ribeirão Onça e membro do Comupra.
Para saber mais sobre a Meta 2034 e conhecer outras iniciativas voltadas para a preservação de espaços verdes em Belo Horizonte e Região Metropolitana, leia e baixe a Revista Manuelzão aqui.
Imagem: Upslon.
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8 de janeiro de 2024
19 de abril de 2021
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