A Justiça de Minas Gerais decidiu, neste dia 4 de março, pela manutenção da tramitação da ação que discute a continuidade do auxílio financeiro para as pessoas atingidas pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 2019. O juiz Murilo Silvio de Abreu tomou, ainda, várias decisões que impactam diretamente o Novo Auxílio Emergencial.
O juiz rejeitou os pedidos da Vale para retirar as associações autoras – Associação Comunitária do Bairro Cidade Satélite (Ascotélite), Associação dos Atingidos por Barragens do Leste de Minas Gerais (Aba-Leste) e Instituto Esperança Maria (IEM) – da ação. A mineradora alegou que elas não teriam legitimidade para representar os atingidos. A decisão judicial, no entanto, confirmou que as entidades têm sim direito de atuar em defesa das comunidades afetadas. Já o pedido do Município de Brumadinho, para participar da ação ao lado das associações, foi recusado. A situação poderá ser revista após julgamento definitivo do recurso.
Também foi rejeitado o argumento da Vale de que já teria quitado as obrigações para com auxílio aos atingidos com o Programa de Transferência de Renda (PTR), encerrado em outubro de 2025. Para o juiz Murilo, a ação atual não rediscute o Acordo Judicial de Reparação firmado em 2021, mas sim a obrigação da mineradora manter auxílio emergencial com base na Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB) e na continuidade e agravamento dos danos causados pelo desastre-crime.
O juiz determinou também nesta ação a inversão do ônus da prova. Isso significa que caberá à Vale demonstrar que os danos causados por ela não persistem, ou que as comunidades já foram plenamente reparadas. Essa decisão se baseia na legislação ambiental e na vulnerabilidade das populações atingidas frente ao poder econômico e técnico da empresa.
A decisão judicial determina que a Vale transfira, em até 15 dias, R$ 133.101.752,13 para a conta da FGV, para o pagamento do auxílio de abril de 2026. O valor para o auxílio de março já foi depositado pela mineradora em fevereiro.
Já os pedidos pelo pagamento retroativo de novembro de 2025 (entre o fim do PTR e início do Novo Auxílio Emergencial) e dos valores referentes às parcelas reduzidas de março a outubro de 2025 foram negados pelo juiz. O magistrado entende que a decisão que determinou o pagamento do Novo Auxílio teve efeito após a revogação de uma suspensão concedida no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, e portanto não tem efeito retroativo.
A Justiça determinou também que a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pela operacionalização dos pagamentos, faça com urgência uma nova tentativa de pagamento às pessoas que não receberam as parcelas de dezembro, janeiro e fevereiro do Auxílio Emergencial. Outros pedidos, relacionados à transparência e estrutura de atendimento da FGV, aguardam o julgamento do recurso em andamento.
A decisão do juiz Murilo elencou os principais pontos que ainda precisarão ser analisados, entre eles:
Caso a Vale seja condenada a arcar com o novo auxílio definitivamente, critérios como valor, prazos e forma de pagamento serão definidos posteriormente.
A decisão judicial reafirma o direito das comunidades a Assessoria Técnica Independente (ATI) custeada pela Vale, para orientar as pessoas atingidas ao longo do processo e também na discussão sobre o Auxílio Emergencial. As ATIs deverão, então, apresentar um plano de trabalho específico para atuar nesta ação, em até 60 dias.
Imagem: Fabiano Lana/Guaicuy.
Muito boa a matéria,será que vai pagar o auxílio de março?
Direito de Direito
Muito bom estamos sem nosso Rio aonde nós podíamos ir se divertir pescar pra ajudar no nosso sustento aí vem uma empresa gananciosa e mata todo nosso sustento nossa cultura
E mais quê justo nossas comunidade ser reparadas
Eu acho que é um direito da população e eles são obrigados a pagar mesmo porque causaram e ainda continuam causando danos para população e ao meio ambiente
Excelente, nós atingidos e prejudicados pelo desastre ambiental causado pela Vale, precisamos de informações seguras e pertinentes como essa acima.
Do meu esposo e meu filho eles não aceitaram falarão que não mandei documentos no prazo e negaram ,sendo que eu recebo e meus filhos não aceitou
Conteúdo animador , espero que decisões sejam favoráveis aos atingidos pelo rompimento da barragem de Brumadinho . A corda tem que quebrar do lado rico e não dos pobres .
Ah eu acho certo tudo que aconteceu com a gente. Fiz o pedido pra mim receber nao consegui
Mais fico feliz que meus amigos e meu esposo de 85 ano recebo. E triste lembrar da tragédia acontecida .que o pessoal da Vale nao deixa acontecer mais nada contra nós gente umilde
Parabéns para exte juiz, este têm caráter e visão da realidade que nós pescadores estamos vivendo.