Instituto Guaicuy

Curso Tecendo Projetos teve participação e construção coletiva

22 de maio, 2026, por Natália Ferraz

Entre 31 de março e 29 de abril, o Instituto Guaicuy pôde estar ainda mais presente no dia a dia das pessoas atingidas pelo desastre-crime da Vale no Rio Paraopeba. Nesse período, foi realizado o Tecendo Projetos, um curso elaborado pelo Guaicuy para capacitar os participantes na elaboração de projetos comunitários. A atividade foi voltada para a população das Regiões 4 (Curvelo e Pompéu) e 5 (Abaeté, Biquinhas, Felixlândia, Martinho Campos, Morada Nova de Minas, Paineiras, São Gonçalo do Abaeté e Três Marias). 

A intenção é que as pessoas estejam mais preparadas para elaborar propostas no âmbito do Anexo 1.1, que é a parte do Acordo Judicial de Reparação que prevê financiamento e linhas de crédito para projetos que ajudem na recuperação socioeconômica das comunidades. Participaram do Tecendo Projetos 30 pessoas da Região 4 e 197 pessoas da Região 5, que receberão um certificado de conclusão.

Formato e conteúdo do curso

O Tecendo Projetos foi ofertado no formato virtual, com turmas nos três turnos do dia. Além disso, também era possível acompanhar de forma assíncrona, assistindo as gravações das aulas no canal do Instituto no Youtube. Dessa forma, foi possível ampliar a participação e as possibilidades de acesso, considerando diferentes rotinas, realidades territoriais e condições de conectividade à internet.

O conteúdo foi dividido em cinco módulos:

  • Anexo 1.1
  • Governança do Anexo 1.1 e apresentação do Almanaque e levantamento de ideias de projetos
  • Passo a passo para a escrita de projetos e preenchimento de fichas de viabilidade
  • Escrita de projetos na prática, qualificação dos projetos
  • Escrita de projetos (detalhamento)

Ao longo desse percurso, foi possível não apenas abordar os aspectos técnicos para a elaboração de um projeto, mas também relembrar o contexto do Anexo 1.1 dentro do Acordo de Reparação e todo o acúmulo construído pelas pessoas atingidas das Regiões 4 e 5 até agora, inclusive com o estudo de materiais de apoio.

Acesse a cartilha Governança para o Anexo 1.1

 

Essa retomada foi importante porque já foram realizadas diversas atividades de levantamento de potencialidades, desafios e ideias em cada uma das regiões, e isso é um embasamento necessário para construir propostas para as demandas que são coletivas.

Acesse o Almanaque de projetos da Região 4

Acesse o Almanaque de projetos da Região 5

A metodologia da formação buscou combinar linguagem simples, diálogo com as experiências do território e conteúdos voltados à proposição de projetos comunitários, estimulando a participação ativa e a construção coletiva do conhecimento. Também foram propostas atividades relacionadas aos temas dos módulos, buscando estimular o acompanhamento contínuo dos conteúdos e a reflexão sobre os temas abordados.

Experiência bem-sucedida

A partir do diálogo com as turmas, ficou decidido coletivamente que os exercícios de elaboração dos projetos seriam concentrados em dois eixos: hortas comunitárias e turismo de base comunitária. Essa definição buscou fortalecer propostas com potencial de geração de renda, valorização territorial, fortalecimento comunitário e promoção de práticas sustentáveis alinhadas às necessidades identificadas pelas comunidades atingidas.

Como atividade de encerramento do curso, foi sugerido que os participantes construíssem uma proposta em diálogo com outras pessoas de suas comunidades, estimulando a construção coletiva das propostas e fortalecendo os processos de diálogo, participação e organização territorial. Isso vai contribuir para que os projetos reflitam demandas, potencialidades e prioridades definidas coletivamente nos territórios.

De acordo com Thais Moura, analista do Guaicuy e uma das organizadoras do curso, a experiência do curso foi bem avaliada pelas pessoas que participaram. De modo geral, os relatos evidenciam que a metodologia adotada favoreceu a participação coletiva, o diálogo e a troca de experiências entre as comunidades, fortalecendo o envolvimento das turmas ao longo do processo formativo. “Diversas pessoas destacaram que os conteúdos abordados dialogavam diretamente com as necessidades de suas comunidades, tornando o aprendizado mais próximo da realidade cotidiana”, relata Thais.

Jeane da Silva, moradora de Cachoeira do Choro, em Curvelo, conta que gostou muito do Tecendo Projetos e que aprendeu como se constrói um projeto do início ao fim, da ideia ao detalhamento. “Tivemos diversidade de pessoas das Regiões 4 e 5 e eu achei muito interessante, pude aprender muito. Se tivesse mais desse curso, acho que participaria novamente”, ela afirma.

Thais Moura conta que esse interesse na continuidade nas atividades formativas, com solicitações como ampliação da carga horária, aprofundamento de determinados conteúdos e realização de novos módulos ou encontros presenciais, foi identificado também em outras avaliações, demonstrando que o curso despertou o desejo de fortalecer os conhecimentos relacionados à elaboração e gestão de projetos comunitários. “De maneira geral, as respostas qualitativas reforçam que o curso alcançou impactos positivos não apenas no campo técnico, mas também no fortalecimento das relações comunitárias, da participação social e da construção coletiva de perspectivas para os territórios envolvidos”, analisa.

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