O 26º Jubileu em honra a Nossa Senhora da Lapa celebrou, em agosto de 2026, 304 anos de uma tradição que atravessa gerações em Antônio Pereira, distrito de Ouro Preto-MG. Ao longo de vários dias de celebração, a Festa da Lapa reuniu moradores e fiéis de diferentes regiões. No dia 15 de agosto, ponto alto dos festejos, a tradicional caminhada e a procissão até o Santuário de Nossa Senhora da Conceição da Lapa movimentaram mais uma vez o distrito.
A comunidade realiza a Festa da Lapa como uma tradição que atravessa gerações e mantém viva a fé e a cultura local. Essa mesma comunidade luta para que as próximas gerações também tenham um território onde possam continuá-la. Isso porque, a ameaça da mineração predatória avança cada vez mais próxima da zona de proteção do Monumento Natural Municipal Gruta Nossa Senhora da Lapa.
Desde a década de 1970 Antônio Pereira convive com os danos da exploração mineral predatória. As obras de descaracterização da Barragem Doutor, da Vale, e seus impactos sobre a população e o território fazem parte dessa realidade. Agora, novos projetos, como os da Leão de Ferro e da Walls Engenharia e Mineração, colocam sob pressão uma região marcada por caminhos seculares de peregrinação, sítios arqueológicos, áreas de proteção ambiental, nascentes e fontes de abastecimento de água. A proximidade desses empreendimentos de lugares como a Gruta da Lapa e a Estrada da Purificação levanta uma questão: quanto mais Antônio Pereira terá que ceder para a mineração?
Ficha técnica
Roteiro, edição, locução: Gabriel Nogueira
Imagens: Gabriel Nogueira, Léo Souza, Ellen Barros, Lucas Aidiax
Iconografia histórica: Arquivo Público Municipal de Ouro Preto, Arquivo Público Mineiro, Biblioteca Nacional
Design: Gabriel Lage
Realização: Instituto Guaicuy
A principal celebração religiosa e cultural do distrito reúne milhares de fiéis e visitantes, enquanto moradores apontam custos e obstáculos para ocupar espaços de comercialização durante os festejos. “Eu fui comprar uma barra de doce, a mulher pediu R$ 15. Isso é um absurdo”, relata. Para Seu João, os preços praticados estão relacionados aos custos assumidos pelos comerciantes para trabalhar durante a festa. “Eu pago R$ 1.200 em uma barraca, eu não vendo R$ 700, aí eu tenho que tirar do bolso para dar o resto.” João José dos Santos, morador e integrante da Comissão de Pessoas Atingidas de Antônio Pereira.
Saiba mais sobre a Festa da Lapa de 2026