As comunidades atingidas de Pompéu e Curvelo – que compõem a Região 4 da Bacia do Rio Paraopeba – foram as primeiras a acessar as linhas de microcrédito do Anexo 1.1. As primeiras linhas foram lançadas em junho, e o Crédito Solidário Microfinanças – parceiro da Entidade Gestora responsável pelos empréstimos – tem feito atendimento no escritório em Pompéu e, na última semana, iniciou o atendimento também nas comunidades.
Mais de setenta pessoas já acessaram as linhas de crédito na Região 4. Entre os primeiros contemplados estão Rosana Oberhofer, da Comissão São Marcos e Santa Cecília (Pompéu) e Marcone Leão, da Comissão de Angueretá (Curvelo). Ambos integram, também, os conselhos locais que representam suas comunidades.
Rosana conta que as linhas de crédito do Anexo 1.1 são uma das grandes esperanças para o território. “Graças a Deus, nossa luta foi compensada. Lutamos muito para que as pessoas atingidas fossem atendidas”, diz ela, que escolheu a linha Morar Melhor, voltada para pessoas que desejam fazer pequenas reformas residenciais.

Rosana Oberhofer, da Comissão São Marcos e Santa Cecília. Imagem de Fabiano Lana/Guaicuy
Moradora da comunidade São Marcos desde 2004, Rosana conta que “quando a gente veio para cá, as casas eram feitas de placas de concreto. E hoje, algumas têm muitas rachaduras”. Ela diz que o microcrédito possibilitou “um bom começo” para o sonho de melhorar a casa com uma suíte e uma varanda. O marido de Rosana, Gustavinho, já começou a obra!
Para acessar o microcrédito, Rosana diz que não teve dificuldade. “Me fizeram muitas perguntas e eu pude responder a todas. Tenho dito às pessoas que as perguntas não são para impedir o acesso, mas para verificar as possibilidades de pagamento”, explica. O acesso de pessoas negativadas foi considerado um ponto fundamental pelos conselhos, e Rosana crê que as pessoas nessa situação não precisam ter vergonha, já que “muitas se endividaram depois do rompimento porque tiveram que sair de onde moravam, porque pararam de produzir ou por outros motivos”.
Animada, a conselheira vê grande potencial nas linhas de crédito: “vai ajudar a vida de muita gente. Alguém que tenha um terreno e queira comprar uma vaquinha, terminando de pagar já pode acessar outra linha”, explica. “Deus vai ajudar que todo mundo que pegar o crédito tenha a responsabilidade de pagar”, completa.
Marcone e Ellen Leão, de Angueretá, contam que ajudaram a construir as linhas de crédito pensando “que tipo de reconstrução socioeconômica é importante para a nossa comunidade, para os nossos vizinhos?”. O plano do casal é montar uma fábrica de pamonha e curau de milho, em um espaço que já haviam construído.

Marcone Leão, da Comissão de Angueretá. Imagem de Daniela Paoliello/Guaicuy
A linha de crédito Agricultura Familiar viabilizou, finalmente, a compra do maquinário que faltava para a empreitada. Aproveitando o novo equipamento, os dois também querem produzir e vender polpa das frutas que cultivam. As feiras de Angueretá e de Curvelo deverão ser os primeiros pontos de venda dos produtos. “Se tivermos oportunidade, também queremos participar da feira de Pompéu, e também fornecer para restaurantes e escolas. Só não sei se vamos ter tempo para tudo isso”, diz Marcone. “A gente sonha grande, mas começa pequeno”, afirma Ellen, animada.
O casal agendou seu atendimento no segundo dia de funcionamento do Crédito Solidário em Pompéu. Como levaram toda a documentação organizada, já com o orçamento do maquinário que pretendiam adquirir, o atendimento levou cerca de meia hora. “É importante buscar informação e se planejar, para não chegar lá sem saber o que fazer”, alerta Marcone.
Esperançosa, Ellen afirma que “muita gente precisa dessa oportunidade para empreender, para crescer. Tem muita gente começando a sonhar e gente concretizando sonhos antigos”. Marcone completa: “esse programa veio em uma hora muito boa, vai alavancar os negócios da região”.
“As pessoas aqui não estavam acreditando muito, mas depois que um e outro pegou o crédito, eles viram que estava acontecendo de verdade, e estão aderindo”, diz Marcone. “Para a gente, como membros da Comissão e do Conselho, dá um up, porque a gente vê nosso trabalho dando resultado”, completa o agricultor.
Confira no site da Entidade Gestora todas as linhas de crédito disponíveis para a Região 4
Enya Barros, coordenadora do Guaicuy na Região 4, relembra que “todo o processo do Anexo 1.1 foi conduzido com os conselhos, em diálogo com as comissões e com as comunidades”. A coordenadora retoma as etapas concluídas: “passamos pela priorização de danos, levantamos as ideias de projetos comunitários, os grupos sociais e profissionais. Tudo isso foi construído junto com as comunidades”.
Enya ressalta que o Guaicuy tem um compromisso institucional com as bases comunitárias. “Somos comprometidos com a escuta e a avaliação das pessoas sobre esse processo. Mas todo processo coletivo precisa de ajustes constantes enquanto acontece. Nosso trabalho é apoiar as comunidades atingidas para que o Anexo 1.1 possa ter, realmente, a cara delas”, afirma.
A coordenadora do Guaicuy também lembra que as pessoas atingidas estão fazendo críticas ao processo e que, por meio do Conselho Regional, já enviaram dois ofícios à Entidade Gestora com dúvidas, recomendações e demandas sobre a operacionalização das linhas. Entre as sugestões, estão a necessidade de apresentação de forma clara dos fluxos e documentos necessários para acessar o microcrédito e o pedido por realização de plantões comunitários.
Conta pra Gente: perguntas frequentes sobre crédito e microcrédito na Região 4
Quem tem interesse em contratar o microcrédito deve agendar o atendimento no escritório do Crédito Solidário pelo telefone (37) 99872-0948. A equipe também oferece informações e orientações por esse telefone – também é possível fazer contato pelo WhatsApp.
O endereço do Crédito Solidário em Pompéu é Rua Inácio Cordeiro, 24, Loja 6, Centro. Caso não seja possível ir até o escritório, será marcada uma visita à comunidade. A data da visita vai depender da demanda da equipe do Crédito Solidário e da disponibilidade de agentes para as idas a campo.
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