Instituto Guaicuy

Quais são as perícias do Rio Paraopeba que a Vale quer manter em sigilo?

26 de fevereiro, 2025, por Laura Garcia

Mineradora solicitou repetidamente que acesso a informações sobre perícias do CTC-UFMG seja restrito

A Vale segue tentando que os resultados de parte das perícias realizadas pelo Comitê Técnico-Científico da Universidade Federal de Minas Gerais (CTC-UFMG) sejam mantidos em sigilo, apesar das negativas anteriores da justiça. A mineradora, responsável pelo rompimento da barragem que matou 272 pessoas em Brumadinho, não quer que estudos sobre análises de água do Rio Paraopeba e sobre coletas de animais e até que dados do Sistema Único de Saúde (SUS) das unidades de saúde das regiões atingidas sejam acessados livremente pela sociedade. 

Ao todo, são 23 chamadas (perícias) sobre as quais a Vale pede sigilo. Além disso, a mineradora também tenta impedir a realização de uma audiência pública para divulgação dos danos causados pelo rompimento da barragem em 2019.  

A lista das perícias que Vale quer sob sigilo

  • Coleta de ictiofauna (peixes);
  • Coleta de fauna;
  • Coleta animais domésticos;
  • Coleta de sedimentos;
  • Coleta de amostras de água subterrânea da Bacia do Rio Paraopeba;
  • Coleta de água superficial para metais, metalóides, compostos orgânicos e ensaios ecotoxicológicos;
  • Análise de microrganismos termotolerantes e E. coli de água subterrânea;
  • Compostos orgânicos em águas subterrâneas;
  • Análise ecotoxicológica na água superficial;
  • Metais e metalóides em água subterrânea;
  • Compostos orgânicos em água superficial;
  • Metais e metalóides em água superficial;
  • Compostos orgânicos em sedimentos;
  • Ecotoxicologia em sedimentos;
  • Metais e metalóides em sedimentos;
  • Metais e metalóides em rejeitos;
  • Presença de  orgânicos em rejeitos (coleta e análise);
  • Metais/metalóides em animais domésticos;
  • Metais/metalóides em animais ictiofauna;
  • Saúde com dados epidemiológicos de bancos nacionais;
  • Saúde com dados epidemiológicos do e-SUS e fichas das UBS;
  • Diagnóstico Causa Mortis Animal;
  • ZAP (Zoneamento Ambiental Produtivo) Ferro-Carvão.

Por enquanto, os relatórios finais de todas as perícias do CTC-UFMG já divulgadas estão disponíveis para leitura e download no site do Instituto Guaicuy. 

Vale também não quer que perícias facilitem indenizações

Ainda no mês de fevereiro, a mineradora também contestou a utilização das perícias no processo pela resolução coletiva das indenizações individuais, desconsiderando novamente a Região 5 – entorno da Represa de Três Marias e calha do Rio São Francisco – como atingida pelo desastre-crime.

Imagem: Instituto Guaicuy.

Gostou do conteúdo? Compartilhe nas redes sociais!

O que você achou deste conteúdo?

O seu endereço de e-mail não será publicado. Todos os campos são obrigatórios.

Ao comentar você concorda com os termos de uso do site.

Assine nossa newsletter

Quer receber os destaques da atuação do Guaicuy em primeira mão? Assine nosso boletim geral!