Nos dias 13 e 17 de agosto, o Instituto Guaicuy se reuniu com pessoas atingidas das Regiões 4 e 5, para dialogar sobre a campanha de transição dos Estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana e Risco Ecológico (ERSHRE). As reuniões foram espaços para escuta das impressões e demandas das pessoas atingidas pelo rompimento da barragem da Vale, além de suas avaliações sobre a condução dos Estudos pela empresa ERM.
As reuniões começaram com a retomada do histórico dos Estudos de Risco, destacando a previsão do Acordo Judicial de Reparação para que eles orientem as ações de saúde e meio ambiente nas regiões atingidas. Também foi relembrada a decisão das Instituições de Justiça de encerrar o contrato do Grupo EPA, antiga empresa responsável pelos Estudos, e a contratação da ERM para dar continuidade ao trabalho.
Por último, foi apresentado como a ERM têm dialogado com os representantes, as etapas de diálogo durante as reuniões e novo cronograma da campanha de transição. Com a previsão inicial de fevereiro a maio, a campanha foi estendida até outubro, com o objetivo de possibilitar a participação das comunidades que ainda não foram ouvidas.
As pessoas atingidas trouxeram uma série de preocupações sobre a forma como o processo vem sendo conduzido pela ERM. Um dos pontos mais citados foi a dificuldade de acesso à plataforma usada para as reuniões, o Microsoft Teams, além da incompatibilidade dos horários com a rotina de trabalho de parte das pessoas atingidas.
Outra preocupação recorrente foi o tempo passado desde o rompimento da barragem. As comunidades questionam se ainda será possível medir efetivamente os impactos causados mais de sete anos depois. Somada a isso, existe dúvida sobre os fundamentos que definiram o descarte das amostras de poeira, solo, água e alimentos coletadas pelo Grupo EPA, que não chegaram a ser analisados. As comunidades pedem, portanto, que os critérios que levaram ao descarte de cada amostra sejam explicados em detalhes.
Também foram relatados problemas de saúde, como o aumento de doenças respiratórias na comunidade Cachoeira do Choro (Curvelo), e danos ambientais visíveis, como o assoreamento de rios e lagoas na região.
Representantes da Região 5 reforçaram a importância de que as coletas da Fase 2 dos Estudos também aconteçam nos chamados Municípios Especiais, que até o momento não estão previstas. As comunidades pedem que seja feita ao menos uma coleta capaz de comprovar se há ou não necessidade de ampliar o estudo para esses municípios.
A partir das discussões realizadas, as Instâncias Regionais elaboraram uma carta reunindo as principais demandas, preocupações e reivindicações das pessoas atingidas em relação à condução dos Estudos de Risco. O documento será encaminhado formalmente à ERM, às Instituições de Justiça e ao juiz, por meio das próprias Instâncias Regionais, fortalecendo a manifestação das comunidades e a cobrança por respostas às questões apresentadas.
Depois das reuniões com as instâncias regionais, o Guaicuy se reuniu com a equipe da ERM no dia 20 de agosto, e apresentou os principais pontos relatados pelas pessoas atingidas durante as reuniões com as Instâncias regionais.
Entre os pontos abordados estiveram as demandas relacionadas à inclusão dos Municípios Especiais da Região 5 e a necessidade de maior antecedência na comunicação sobre atividades e visitas de campo, de modo a favorecer a organização e a participação das comunidades. Também foram apresentadas as dificuldades relatadas pelas pessoas atingidas quanto ao uso do Microsoft Teams e aos horários das reuniões. Em resposta, a ERM informou que poderá utilizar o Google Meet quando solicitado.
Ao final, a ERM informou que aguardará o encaminhamento das cartas elaboradas pelas Instâncias Regionais para responder formalmente às demandas apresentadas pelas pessoas atingidas.
Imagem: acervo Guaicuy.
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