Entre maio e junho, a equipe do Guaicuy percorreu comunidades atingidas pelo desastre-crime da Vale em Brumadinho nas regiões assessoradas pelo Instituto. O objetivo foi realizar a primeira etapa de um diagnóstico do status operacional dos sistemas de filtragem de água instalados pela mineradora nos territórios.
A implantação desses filtros foi uma determinação do Acordo Judicial de Reparação Integral, como resultado de análises de água realizadas pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Os critérios para instalação foram os seguintes:
Neste momento, foram avaliadas as condições de instalação, funcionamento e efetividade dos filtros implantados em poços que já haviam sido mapeados anteriormente pelo Guaicuy. Durante as atividades, também foram identificados outros sistemas instalados, que agora estão registrados no banco de dados e passarão a ser acompanhados pelo Instituto.
Na Região 4 (Curvelo e Pompéu), a equipe visitou onze sistemas de filtragem. Já na Região 5 (Abaeté, Biquinhas, Felixlândia, Martinho Campos, Morada Nova de Minas, Paineiras, São Gonçalo do Abaeté e Três Marias), a quantidade chegou a 14. Esses números representam um aumento de quatro registros mapeados em cada uma das regiões, em comparação ao levantamento realizado em 2022.
Acesse o dossiê dos filtros produzido em 2022
Três dos sistemas de filtragem que constavam nos registros não estão em funcionamento. Um deles, na Região 4, apresentou falhas no teste da bomba e nunca foi ligado pela Vale. E dois sistemas na Região 5 chegaram a funcionar, mas foram desinstalados pela mineradora após apresentarem problemas.
A análise dos dados coletados revela vulnerabilidades técnicas, operacionais e informacionais que comprometem, em graus variados, a efetividade de alguns sistemas. Em entrevistas com a população, foi percebido que há desconfiança generalizada em relação à qualidade da água e ausência ou insuficiência de retorno dos resultados das análises da água às comunidades.
O levantamento mostrou que existe uma demanda de intervenção técnica estruturada, com diagnóstico claro das causas das falhas e prazos para correção e de um canal de comunicação transparente com a população. Além disso, é necessária a realização, pelas instituições responsáveis, de análises laboratoriais atualizadas, acompanhadas de um protocolo de coleta rigoroso e isento, para assegurar que essas medidas estejam, de fato, protegendo a saúde das comunidades atingidas e garantindo seu efetivo direito de consumo e acesso à água de qualidade.
Acesse o Dossiê sobre a Etapa 1 na Região 4
Acesse o Dossiê sobre a Etapa 1 na Região 5 Imagem destacada: Jéssica dos Santos/Guaicuy
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