Brasil na mira da corrida global por terras raras
20 de março de 2026
As chamadas terras raras são 17 elementos químicos, encontrados na natureza: cério, disprósio, érbio, escândio, európio, gadolínio, hólmio, itérbio, ítrio, lantânio, lutécio, neodímio, praseodímio, promécio, samário, térbio e túlio. Eles não são realmente raros, mas sim difíceis de serem extraídos e trabalhados, porque costumam estar misturados a outros minerais.
Esses elementos químicos são empregados na fabricação de diversas coisas como superímãs, celulares, computadores, drones etc. Como são especialmente fundamentais para a produção de carros elétricos e turbinas eólicas, por exemplo, são considerados estratégicos para a transição energética.
Mais de 20% das reservas de terras raras conhecidas no mundo estão no Brasil. O país tem a segunda maior concentração desses minerais, atrás apenas da China, que concentra 45% e domina globalmente o processamento dos minerais.
Até agora, a única mineradora explorando terras raras no Brasil é a Serra Verde, que tem nome em português, mas capital estrangeiro. A mineradora atua na região de Minaçu, em Goiás, desde 2024. Em abril, foi comprada pela USA Rare Earth, que conta com apoio do governo de Donald Trump para correr atrás do monopólio chinês no ramo.

Minas Gerais é, mais uma vez, um ponto estratégico da disputa em curso. No final de 2025, as australianas Viridis e Meteoric tiveram projetos aprovados para explorar argila iônica na região de Poços de Caldas. No dia 7 de abril, a deputada estadual Bella Gonçalves (PT) protocolou uma ação civil pública contra a licença para exploração estrangeira de terras raras na região, denunciando violações ambientais e desrespeito aos direitos dos povos e comunidades tradicionais. O Guaicuy é um dos parceiros na proposição desta ação.

No dia 6 de maio, a Câmara de Deputados aprovou o PL 2780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Ela prevê uma série de incentivos para companhias que processarem e transformarem os materiais no Brasil. O projeto de lei agora segue para o Senado e, se aprovado, ainda precisará ser sancionado pelo presidente Lula.
Movimentos sociais sinalizam que essa política reforça o padrão de extração e exportação, que não traz retorno para os territórios nem oferece desenvolvimento real para o Brasil. Além disso, a urgência na tramitação do PL limita a participação do povo nesse debate! E como sempre, a exploração vai impactar os territórios e as comunidades que neles vivem.
A disputa pelas terras raras é vista por parte da população como questão de soberania nacional, e deve ser um dos temas centrais das eleições deste ano. A posição dos defensores do meio ambiente continua sendo garantir a participação popular no debate, e respeito aos territórios e às comunidades.
Foto: TMY350/CC BY-SA 4.0. Mapas: Matheus Ferreira/Guaicuy.
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