Instituto Guaicuy

Conteúdo atualizado em outubro de 2026

O Anexo 1.3 é um dos pontos de reparação socioeconômica previstos no Acordo firmado entre Vale e Poder Público para a reparação de danos coletivos e difusos causados pelo rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão. O desastre-crime afetou 26 municípios da Bacia do Rio Paraopeba e da represa de Três Marias.

Confira abaixo os Cadernos do Anexo 1.3 produzidos em março de 2026

Região 4

Região 5

Esse anexo prevê a destinação de R$ 2,5 bilhões para projetos de fortalecimento de serviços e políticas públicas em 25 municípios atingidos. A cidade de Brumadinho não está incluída no Anexo 1.3, pois seus projetos estão previstos no Anexo 1.4, exclusivo para o município.

Os recursos para as Regiões 4 e 5 foram distribuídos da seguinte forma (dados de 2026):

  • Pompéu – R$ 118,11 milhões
  • Curvelo – R$ 136,03 milhões
  • Abaeté – R$ 90,94 milhões
  • Biquinhas – R$ 90,78 milhões
  • Morada Nova de Minas – R$ 75,62 milhões
  • Paineiras – R$ 87,94 milhões
  • Felixlândia – R$ 112,67 milhões
  • São Gonçalo do Abaeté – R$ 87,68 milhões
  • Três Marias – R$ 94,08 milhões
BAIXE AQUI O MANUAL DO ANEXO 1.3

Consulta Popular

Em novembro de 2021, as pessoas atingidas puderam opinar sobre quais projetos de fortalecimento de serviços e políticas públicas consideravam prioritários para seus municípios. A Consulta Popular sobre o Anexo 1.3, que contou com apoio das Assessorias Técnicas Independentes (ATIs) que dão suporte às vítimas da Vale, selecionou inicialmente 103 projetos, que, em seguida, foram avaliados pelo Comitê de Compromitentes (Estado de Minas Gerais e Instituições de Justiça) e enviados à Vale para detalhamento.

Entre os 192 projetos definidos para o Anexo 1.3 na Bacia do Paraopeba, temos:

  • 10 projetos do Pacote de Resposta Rápida (PRR),
  • 139 projetos específicos para os municípios,
  • 8 projetos regionais (que contemplam mais de um município),
  • 35 projetos da Consulta Popular para Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs).

Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs)

Os Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) das Regiões 4 e 5 ficaram de fora do processo de Consulta Po­pular, tanto na indicação de projetos, quanto na votação. Para mitigar essa exclusão, o Comitê Pró Brumadinho elaborou uma nova consulta, a partir dos projetos já apresentados anteriormente, exclusiva para os PCTs, que puderam votar para a inclusão de mais um projeto por município.

No caso das Regiões 4 e 5, naquele momento, apenas o Povo Kaxixó (Martinho Campos e Pompéu) e o Quilombo Saco Barreiro (Pompéu) eram reconhecidos. Martinho Campos não foi contemplado no Acordo Judicial e a gestão do município não solicitou a inclusão, o que limitou a escolha a apenas um projeto para Pompéu. As duas comunidades fizeram processos de esco­lha próprios e optaram por se unir em uma proposta comum para ambas: a construção de poços artesianos e melhoria de acesso à água potável.

BAIXE AQUI O MANUAL DO ANEXO 1.3

Quem é quem no Anexo 1.3

Veja o papel de cada ator envolvido nessa parte do Acordo:

Vale

Comitê de Compromitentes

Fundação Getulio Vargas (FGV) — Auditoria Socioeconômica

AECOM

Prefeituras dos municípios atingidos

Comissões

Instituto Guaicuy

Instituições de Justiça

Estado de Minas Gerais

Documentos

Quanto cada município deve receber do Anexo 1.3 nas áreas assessoradas pelo Guaicuy?

  • Pompéu — R$ 118,11 milhões
  • Curvelo — R$ 136,03 milhões
  • Abaeté — R$ 90,94 milhões
  • Biquinhas — R$ 90,78 milhões
  • Morada Nova de Minas — R$ 75,62 milhões
  • Paineiras — R$ 87,94 milhões
  • Felixlândia — R$ 112,67 milhões
  • São Gonçalo do Abaeté — R$ 87,68 milhões
  • Três Marias — R$ 94,08 milhões

O que é o Anexo 1.3?

Definido no acordo entre a Vale e o Poder público em fevereiro deste ano, o anexo 1.3 irá destinar R$ 2,5 bilhões para projetos de políticas públicas nos municípios ao longo da Bacia do Paraopeba até o Lago de Três Marias, que foram atingidos pelo rompimento da barragem da Vale.

Qual a diferença entre os Anexos 1.1, 1.2 e 1.3?

O Anexo 1.1 diz respeito aos Projetos de Demandas das Comunidades Atingidas. Nele, as pessoas atingidas participam desde a proposta e formulação dos projetos até a fiscalização e validação. O valor definido é de R$ 3 bilhões, sendo R$ 1 bilhão para projetos de crédito e microcrédito. O Anexo 1.2 é referente ao Programa de Transferência de Renda (PTR). Esse programa será o substituto para o Pagamento Emergencial e tem definido R$ 4,4 bilhões para sua execução. Foi definido pelo juiz que poderão acessar o PTR as pessoas que residem em comunidades em até 1km do Rio Paraopeba ou do Lago de Três Marias, pessoas que moram em comunidades que sofreram com o desabastecimento de água ou que receberam obras emergenciais.

Já o Anexo 1.3 trata dos projetos de fortalecimento dos serviços públicos. Participam com envio de propostas tanto as pessoas atingidas quanto prefeituras municipais dos territórios atingidos e o Estado de Minas Gerais. O valor definido no acordo para execução dos projetos é de R$ 2,5 bilhões e cabe à empresa Vale executar ou pagar os projetos definidos pelo Comitê de Compromitentes para serem implementados.

O que é o Pacote de Resposta Rápida?

Os projetos do Pacote de Resposta Rápida (PRR) correspondem a 15% do valor total destinado ao Anexo 1.3. Eles foram apre­sentados pelo Governo do Estado e aprovados pelo Comitê de Compromitentes para serem executados com maior agilidade nos municí­pios contemplados. As três áreas contempla­das são: Saúde; Agricultura, Abastecimento e Pecuária; e Desenvolvimento Social. Ao todo, são R$345 milhões para as Regiões 2, 3, 4 e 5 que foram afetadas pelo desastre-crime. 

O Comitê dos Compromitentes é composto por Instituições de Justiça (Defensoria Pública de Minas Gerais, Ministério Público do Estado de Minas Gerais e Ministério Público Federal) e  Governo de Minas.

Entre os 10 projetos do PRR, cinco já foram concluídos:

  • Doação de Kits Feira.
  • Estruturação de Salas de Urgência.
  • Regularização Fundiária Rural.
  • Manutenção de Estradas Rurais e Trabalhos de Recuperação Ambiental (Fase 1).
  • Manutenção de Estradas Rurais e Trabalhos de Recuperação Ambiental (Fase 2).

E cinco estão em execução:

  • Programa de Educação Profissional.
  • Fortalecimento dos Serviços Socioassistenciais Municipais.
  • Fortalecimento da Atenção Primária à Saúde.
  • Promove Minas.
  • Fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

O que foi a Consulta Popular?

Em novembro de 2021, houve uma Consulta Popular para priorizar projetos específicos em cada município atingido. Foram enviadas 3.114 propostas de projetos, sendo 923 encaminha­das por prefeituras e 2.191 pela população. Alguns projetos que não receberam votos entraram de forma adaptada no Pacote de Resposta Rápida do Estado. 

Os temas mais votados foram:  fortalecimento dos serviços de saúde com veículos e equipamentos para o SUS; obras de infraestrutura; e investimento em equipamentos de esporte e lazer. Houve critérios técnicos para verificar a viabilidade de cada proposta e foi feita uma seleção pelo Comitê de Compromitentes, em cada município. Grandes projetos, que abran­gem mais de um município, foram transferidos para a categoria Projetos Regionais (veja abaixo).

Confira os resultados da Consulta Popular no site do Comitê Pró Brumadinho: https://lookerstudio.google.com/reporting/12df9271-1d6a-4bd5-8ef8-33259ca4f425/page/UNAcC

O que são os Projetos Regionais?

São ini­ciativas priorizadas em mais de um município, como a pavimentação de Rodo­vias Estaduais que conectam dois municípios e a construção de casas populares (projeto piloto no município de Biquinhas). Outro exemplo é a instalação de usinas de energia solar em prédios públicos em Biquinhas, Curvelo, Felixlândia, Morada Nova de Minas e Pompéu.

O que são os Projetos para Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs)?

Os Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) das Regiões 4 e 5 não foram considerados em suas tradicionalidades e ficaram de fora do processo de consulta popular, tanto da indicação de projetos quanto da votação. Para mitigar essa exclusão, o Comitê Pró Brumadinho elaborou uma nova consulta, a partir dos projetos já apresentados anteriormente, exclusiva para os PCTs. No caso das regiões 4 e 5, o Povo Kaxixó (localizados em Martinho Campos* e Pompéu) e o Quilombo Saco Barreiro (Pompéu) fizeram processos de escolha próprios e optaram por se unir em uma proposta comum para ambas: a construção de poços artesianos e melhoria de acesso à água potável. O projeto está em andamento nas comunidades, em fase de implantação de sistemas provisórios de distribuição de água potável e tem previsão de conclusão para 2029.

*Martinho Campos não foi contemplado no Acordo Judicial e a gestão do município não solicitou a inclusão, o que limitou a escolha a apenas um projeto para Pompéu.

O que são Projetos Convertidos?

Alguns projetos do Anexo 1.3 que seriam executados pela Vale, fo­ram convertidos em projetos executados pelas prefeituras e pagos pela mineradora. Isso aconteceu porque, na avaliação da auditoria, a Vale apresentou custos muito acima dos valores de mercado e o Comitê de Compromitentes não autorizou o início da execução dos projetos e avaliou que seria mais adequado destinar a execução para os municípios.  Nesses casos, as prefeituras apresentaram orçamentos significativamente menores para os mesmos projetos. 

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